quinta-feira, 20 de junho de 2013

A Nova História do Ipu - VII

Capela da Matriz. Fotografia atual. Fonte: Acervo particular do autor.

CAPÍTULO 2: A OCUPAÇÃO DO IPU (CONTINUAÇÃO)

A Formação da Freguesia de São Gonçalo da Serra dos Cocos


A Igreja da Matriz
O distrito de Matriz de São Gonçalo situa-se a oeste do município de Ipueiras, sobre a serra da Ibiapaba, distante cerca de 20 quilômetros da sede.
O núcleo de povoamento inicial foi organizado em torno da Igreja, erguida em 1733.

A construção da Igreja da Matriz
A construção da Igreja, em 1733, é resultado das desavenças, disputas por poder e jurisdição entre os Jesuítas, que desde o século XVII exerciam atividades de catequese na serra da Ibiapaba e subordinados à casa Provincial do Maranhão, e os padres seculares, subordinados aos administradores do Curato da Ribeira do Acaraú, criado pela junta das missões da diocese de Pernambuco.
Segundo o Padre Sadoc, “desde 1656, com algumas interrupções, os jesuítas missionavam entre os índios tabajaras. Com a criação do Curato do Acaraú, começaram a surgir problemas de jurisdição” (ARAÚJO, Francisco Sadoc. História Religiosa de Guaraciaba do Norte. Fortaleza-CE. Imprensa Oficial do Ceará, 1988, p. 33).
Para não permitir que os jesuítas atravessassem o rio Inhuçu para catequizar os índios abaixo deste curso d’água, o cura, com o auxílio do Frei José da Madre de Deus, carmelita que se encontrava na Ribeira do Acaraú, resolveu que se construísse uma igreja sobre a Serra dos Cocos, a fim de que os jesuítas não pudessem estender sua jurisdição até aquela parte da Ibiapaba.

A Capela
Com ordem de escolher o local para o novo templo, Frei José foi conversar com o Capitão José de Araújo Chaves, sesmeiro da Boa Vista, na Serra dos Cocos, e das Ipueiras Grande, no sertão. O encontro do carmelita com o Capitão foi, segundo o Sadoc, dos mais amistosos e a ideia de construção foi muito bem recebida. O capitão propôs não a construção de uma, mas de duas capelas: uma sobre a serra e outra abaixo, no sertão. Para isso, doou os terrenos necessários às obras e ele mesmo escolheu os oragos (padroeiros): São Gonçalo e Nossa Senhora da Conceição. O primeiro santo escolhido seria uma homenagem ao Conselho de Amarante, vila portuguesa de onde são provenientes os Martins Chaves, e Nossa Senhora da Conceição, em homenagem a Portugal, da qual é padroeira.

Em 1757, com a divisão do Curato da Ribeira do Acaraú em quatro freguesias, pelo bispado de Pernambuco, nascia, portanto, a Freguesia de São Gonçalo da Serra dos Coco, sendo destinada como matriz provisória a capela de São Gonçalo do Amarante, construída e inaugurada, ainda inacabada, em 1733, pelo Frei José da Madre de Deus, na região chamada de Serra dos Cocos. A serra dos Cocos compreendia “as vertentes do Acaraú, da barra do Macaco para cima, o sertão e a Chapada correspondente da Serra da Ibiapaba” (Sadoc. Idem.). 

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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Vinte centavos: a incompreensão da mídia e dos políticos

Jornalista da Folha de São Paulo, atingida por balas de borracha. Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
Todos nós estamos assistindo a uma onda de manifestações e protestos por todo o país. Logo, a grande mídia, como sempre faz, se encarregou de criminalizá-las, dizendo que não passavam de movimentos de vândalos e desordeiros sem causa. Logo, igualmente, parte da população, que digere as notícias sem ter a capacidade de refletir, ou por preguiça de pensar, passou a reproduzir o que essa péssima mídia dizia. Também, pessoas esclarecidas e, pasmem, intelectuais de classe média e alta, passaram a apontar o dedo e condenar as manifestações, não entendendo as suas demandas, como se elas fossem apenas resultado de uma insatisfação contra o aumento de meros 20 centavos nas passagens dos transportes públicos (a exemplo de Arnaldo Jabor, alguns sociólogos e alguns jornalistas).
Confesso que ainda é muito cedo para saber os reais motivos dos protestos. Mas uma coisa parece clara: elas manifestam uma insatisfação contra as políticas públicas urbanas, contra a corrupção, o descaso com a educação pública, a violência e contra as condições de vida nos grandes centros urbanos.
            O que estamos assistindo parece ser resultado de um conjunto de demandas sociais: uma insatisfação de amplos setores da sociedade civil com a realidade vivida pelo país, sobretudo nos grandes centros urbanos, nas grandes cidades, onde se tornou difícil viver tranquilamente: as manifestações são contra o descaso, os políticos corruptos, contra os baixos salários dos professores, contra a impunidade, violência, etc.
            Há algo muito singular nos movimentos: eles não têm uma única liderança, eles não estão a serviços de partidos políticos, não lutam pelo poder e nem são resultado de corporações ou de entidades de classe, não têm uma única pauta de reivindicações.
            Podemos estar assistindo ao início de uma grande mudança: de conscientização. Os políticos não sabem lidar com essas manifestações porque elas não têm um centro de poder ou decisão, nem uma pauta clara de demandas. Elas estão mandando um recado: é hora de se mudar a forma de governar o país, de lidar com seus problemas, de governar com mais justiça, de fazer algo de concreto para mudar a realidade da nação.
            Os 20 centavos no aumento das passagens são apenas o estopim de uma insatisfação maior. As demandas dos movimentos são maiores do que isso: se luta por um país melhor, por uma cidade melhor, por dignidade, pelo direito de viver no lugar em que se nasceu, sem ser vítima de violências, por uma polícia honesta, por um transporte coletivo digno e de qualidade, por respeito!
            A oportunidade está aí: precisamos construir um país melhor. O que estamos fazendo para isso? 

A Nova História do Ipu - VI

CAPÍTULO 2: A OCUPAÇÃO DO IPU (Continuação)

A Formação da Freguesia de São Gonçalo da Serra dos Cocos


A vasta sesmaria concedida em 1722 formaria, 35 anos depois, a Freguesia de São Gonçalo do Amarante ou da Serra dos Cocos. Essa freguesia está na raiz da história das inúmeras cidades atuais, cujas terras estavam sob sua jurisdição eclesiástica.
Com a divisão do Curato do Acaraú, em quatro freguesias, em 1757, pelo bispo de Pernambuco, é criada a freguesia da Serra dos Cocos, ficando a região do Campo Grande subordinada a ela.
Somente no século XVII é que se têm notícias seguras da ocupação da região que veio a ser a cidade de Ipu. Durante todo o século XVIII, o povoado ali erigido não apresentava qualquer importância religiosa, política e econômica. Somente começou a se destacar no início do século XIX, em função do seu crescimento econômico, principalmente, pela produção algodoeira.
Essa mudança se refletiu quando da elevação do povoado a Vila, em 1840. Isso, por si só, atesta ao relativo crescimento e importância do povoado. No entanto, durante todo o século XVIII, não exerceu qualquer influência na região da Serra dos Cocos. O centro econômico era o Campo Grande e o centro religioso era a freguesia de São Gonçalo. Com a elevação do Campo Grande à vila, com o nome de Vila Nova d'Del-Rey, e a instalação da Câmara Municipal naquela localidade, ficou o povoado ipuense dependo politicamente dela.

sábado, 15 de junho de 2013

A Nova História do Ipu - V

Igreja da Matriz, distrito de Ipueiras. Fonte: http://suaveolens.blogspot.com.br

Capítulo 2: A ocupação do Ipu

Depois de consolidada a ocupação da Ibiapaba, principalmente acima do rio Inhuçu, divisão natural entre a serra acima e a serra abaixo, é que lentamente se deu a ocupação de toda a região que viria a ser os atuais municípios de Ipu, Guaraciaba do Norte, Ipueiras, Tamboril, dentre outros municípios.
Nestas regiões, a ação dos padres e a concessão de sesmarias pela coroa portuguesa foram essenciais para a ocupação de toda aquela vasta região.

As Sesmarias

Visando à ocupação das imensas terras do Ceará a coroa portuguesa incentivou a doação de terras a todos aqueles merecedores dessa mercê, que dispunham de bens e que fossem capazes de ocupá-las e explorá-las economicamente.
No início do século XVIII (1728), a diocese de Pernambuco, a qual o Ceará esteve subordinado até 1799, criou o Curato da Ribeira do Acaraú, cujo objetivo era catequizar os «índios» da região. O Curato compreendia três missões: a dos tremendés do Aracatimirim, sediada na Capela de Nossa Senhora da Conceição da Almofala, entregue ao Pe. José Borges Novais, a dos Reriús, sediada na Capela de Nossa Senhora da Conceição da Meruoca, entregue ao Pe. José Teixeira de Morais e a dos Aconguaçús, sediada na Capela de Santo Antonio de Ibuaçú, entregue ao Pe. Antonio de Sousa Leal.
Abaixo do rio Inhuçú ficava a região conhecida na época como Serra dos Cocos e era de jurisdição do Curato do Acaraú. Nessa região, de acordo com Padre Sadoc, não houve aldeamentos e os indígenas rareavam. Os índios tabajaras, que habitavam a Serra da Ibiapaba, estavam aldeados ao norte do planalto, do rio inhuçú para cima. Desse para baixo, não houve aldeamento e os índios rareavam. (ARAÚJO, Pe. Francisco Sadoc. História Religiosa de Guaraciaba do Norte. Fortaleza-CE. Imprensa Oficial do Ceará, 1988, p. 23).
O marco fundamental da colonização da Serra dos Cocos e de todo o Alto e Médio Acaraú, se deu com base na concessão de uma das maiores sesmarias do período colonial. Tal concessão data de 17/07/1722, tinha uma extensão de 24 léguas e fora entregue a oito pessoas, dentre elas, o capitão Luiz Vieira de Sousa, casado com Joana Paula Vieira Mimosa, que teriam vindo tomar posse de suas três léguas, logo depois fundando a Fazenda Ipu.
Apenas o capitão-mor José de Araújo Chaves e o capitão Luís Vieira de Sousa, fixaram residências em suas terras. O primeiro em Ipueiras e o segundo em Ipu.

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sexta-feira, 14 de junho de 2013

A Nova História do Ipu - IV

CAPÍTULO I: A OCUPAÇÃO DO CEARÁ (CONTINUAÇÃO)

Chacina do Pe. Francisco Pinto em 1607
SAIBA MAIS
3. Francisco Pinto e Luís Figueira
Com o objetivo de catequizar os “índios” e acalmar a sua ira contra o “homem branco”, português, após a desastrada e violenta expedição de Pero Coelho, os Jesuítas Francisco Pinto e Luis Figueira foram enviados pela coroa portuguesa ao Ceará. Em janeiro de 1607, os padres seguiram de Pernambuco para a foz do rio Jaguaribe, acompanhados de 60 “índios” “amansados”, quer dizer, catequizados. Seguiram, então, para o litoral em direção a Serra da Ibiapaba. Ao chegarem à região, deram início ao trabalho catequético. Mesmo assim, em janeiro de 1608, foram atacados pelos nativos da tribo Tacajus. Francisco Pinto foi trucidado e Figueira conseguiu fugir, dirigindo-se para a ribeira do Rio Ceará e, em seguida, para o Rio Grande do Norte. Este episódio é relatado no seu “diário”, Relação do Maranhão, tido como o primeiro texto escrito sobre o Ceará.

4. A Companhia de Jesus
A cia. de Jesus foi fundada, em 1534, por Inácio de Loyola, ex-soldado espanhol que estudou teologia em Paris. Tornou-se um dos agentes mais eficientes da Igreja Católica no combate ao protestantismo e na difusão do catolicismo. Dotados de rígida disciplina e sólida formação religiosa e cultural, os jesuítas lançaram-se em intensa atividade, envolvendo o ensino e a catequese. A sua ação não se limitou à Europa. Na América, a sua tarefa consistia em converter os nativos à religião católica. A Igreja Católica havia perdido muitos fiéis com a chamada Reforma Religiosa. Necessitava de novos “rebanhos”. O Novo Mundo representava, assim, a salvação do Catolicismo. A atuação dos jesuítas foi muito importante para a conversão ao catolicismo de extensos contingentes. A catequese dos índios, a formação religiosa e a educação, levadas a cabo pelos “soldados de Cristo”, foram suas principais ações no Novo Mundo.

5. Sesmaria

As sesmarias eram lotes de terras que poderiam ser doados pelos donatários, dentro dos limites de suas capitanias, a qualquer pessoa interessada em explorá-los. No Brasil, foram instituídas com o sistema de capitanias hereditárias, em 1534. A concessão desses lotes tinha por base a Lei das Sesmarias, de 1375. Tratava-se de uma prática antiga em Portugal, empregada pela monarquia lusitana, com o objetivo de promover a ocupação de terras pouco habitadas e aumentar a oferta de alimentos. No Brasil, visava promover a ocupação, conquista e exploração econômica de regiões “devolutas”. As sesmarias deram origem aos latifúndios que até hoje caracterizam o regime de propriedade no Brasil.

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quinta-feira, 13 de junho de 2013

A Nova História do Ipu - III

CAPÍTULO I: A OCUPAÇÃO DO CEARÁ (Continuação)

Mapa do Brasil - Século XVI

Os Holandeses
Com as “invasões holandesas” e seu domínio das principais regiões produtoras de açúcar, não houve, até 1654, ano da “expulsão” dos batavos, qualquer tentativa de aldeamento dos indígenas na Serra da Ibiapaba.
A partir da Restauração portuguesa, em 1640, e da expulsão dos holandeses do nordeste brasileiro, os portugueses se voltaram para a conquista do território cearense, onde a Serra da Ibiapaba se apresentava como o “centro das preocupações”.
Em 1656, dá-se a segunda tentativa de aldeamentos na Ibiapaba com os jesuítas Antônio Ribeiro e Pedro Pedrosa, retirando-se da região em 1662.
Depois dessas tentativas, somente em fins do século XVII é que há uma maior intensificação dos aldeamentos dos indígenas. O século XVII marcaria a consolidação da conquista e ocupação da região pelo “homem civilizado”.
Os aldeamentos ou missões, portanto, foram essenciais para a conquista da região da ibiapaba. Elas tiveram início com base nas intensas lutas entre os primeiros conquistadores e os nativos da região.

SAIBA MAIS
1. A França Equinocial
Os franceses se estabeleceram no Maranhão, fundando, em 1612, a França Equinocial. Tinham o apoio dos nobres e burgueses, além do financiamento da casa real francesa. Em 1612, portanto, uma expedição francesa fundou no litoral do Maranhão o Forte de São Luís, cujo nome era uma homenagem ao rei Luís XIII (nome dado a cidade em homenagem, na verdade, a São Luis IX, ancestral de Luiz XIII, rei da França). Os portugueses reagiram: em 1613 atacaram o forte, porém, diante da resistência francesa e da falta de recursos, foram obrigados a assinar uma trégua. Em 1615, no entanto, uma nova expedição luso-espanhola atacou o estabelecimento francês no Maranhão e expulsou os “invasores”. Em 1616, os portugueses fundaram o forte do presépio, na atual cidade de Belém.

2. A Tentativa de conquista do Ceará e a expedição de Pero Coelho
Durante todo o século XVI, ficou a capitania do Ceará esquecida pela coroa portuguesa. Prova desse abandono atesta o desinteresse de seu donatário, Antonio Cardoso de Barros, que nunca pôs os pés em sua capitania, criada em 1534. Somente no século XVII é que o governo se interessa pela conquista das terras ao norte do Brasil e, em especial, das terras do Ceará atual.
Desta forma, o açoriano, Pero Coelho de Sousa, partiu para o Ceará, em 1603, com o objetivo de conquistar suas terras. Obteve a patente de capitão-mor e o direito de organizar uma expedição, cuja finalidade era de explorar a região do Rio Jaguaribe, combater os “invasores franceses”, além de explorar riquezas e “oferecer a paz aos índios”. Partiu da atual Paraíba, com 65 soldados, entre os quais Martim Soares Moreno - tido pela historiografia tradicional como o fundador do Ceará -, e 200 nativos. Atingiu a Serra da Ibiapaba, travou combate com algumas tribos locais, sobretudo os Tabajaras, e com franceses, aliados dos “índios”.

A Nova História do Ipu - II

Capítulo I: A ocupação do Ceará

Mapa antigo do Ceará. Fonte: Domínio Público.
A ocupação da capitania do Ceará, pelos europeus, só se deu de forma tardia, quando comparada ao processo de ocupação do litoral açucareiro. Neste, a conquista teve início já no século XVI.
Fator preponderante na conquista e ocupação do “Siará Grande”, no século XVII, e sua posterior consolidação, foram os aldeamentos, essenciais para a consolidação portuguesa e redefinição do espaço cearense.
A tentativa de penetração no território da capitania do Ceará, no início do século XVII, teve uma função eminentemente estratégica. Sua ocupação servira como ponto de apoio para as tropas que vinham de Pernambuco em direção ao Maranhão, cujo objetivo era combater os franceses que ali estavam entre 1594 e1614. É o que se pode perceber com base na Relação do Maranhão, documento escrito em 1607 pelo padre missionário Luis Figueira: “(...) p. ordem de Fernão cardim pr.al nos partimos para a missão do Maranhão o pe. Fr.co Pinto e eu cõ obra de sessenta Indios, cõ intenção de pregar o evangelho aaquela desesperada gentilidade e fazermos co q' se lançassem da parte dos portugueses, deitando de si os frãcezes corsairos q' lá residem (...)”. (SOBRINHO, Thomaz Pompeu. Três Documentos do Ceará Colonial. Fortaleza: Imprensa Oficial, 1967, p. 76).
Desde o século XVI existiam indícios de que os franceses comerciavam com os indígenas no rio Camocim. Isso fazia da Serra da Ibiapaba um ponto estratégico para o ataque aos franceses. A expedição de Pero Coelho de Sousa (primeira tentativa de conquista da capitania do Ceará pela coroa portuguesa) tinha como objetivo ocupar e estabelecer o domínio luso sobre a região. Chegando lá, travou luta com os “invasores”, encontrando grande resistência dos franceses e de tribos indígenas aliadas.
Diante do fracasso de Pero Coelho, o Estado português, percebendo a grande importância estratégica da região da Ibiapaba e a ferrenha oposição dos nativos à violência dos conquistadores, utilizou-se do prestígio da Companhia de Jesus para ocupar a região, mudando, assim, sua tática de dominação para “amansar” os nativos e abrir caminho à sua conquista e ocupação.

Essa segunda tentativa chegou ao fim em 1608 quando da morte do padre Francisco Pinto e da fuga de Luis Figueira.

Continua...

domingo, 9 de junho de 2013

A Nova História do Ipu - I

Chegada da Locomotiva. Sem data. Fonte: do acervo de Francisco de Assis Martins.

Histórias do Ipu

Mensalmente, a partir desta edição, o Ipu Grande publicará partes de um livro didático sobre a História do Ipu, escrito pelo professor e historiador, Antonio Vitorino. Para o professor Vitorino, como é mais conhecido, uma das grandes reclamações dos professores de história da rede municipal de Ipu diz respeito ao fato de se ensinar, em nossas escolas, as chamadas “História Geral” e História do Brasil e não a História do Ipu. Só se fala de nossa história, nas escolas, nas semanas que antecedem às comemorações do 26 de agosto, aniversário de emancipação política da cidade. E, mesmo assim, de forma muito superficial.
            Para ele, uma das grandes dificuldades encontradas pelos professores de história, quando se preocupam em trazer para a sala de aula a “história local”, refere-se à falta de material didático. São poucos os livros publicados que falam de nossa história. Mesmo, boa parte destes, difunde uma concepção de história baseada na memorização de datas e “pessoas importantes” e que pouco contribui para valorizar e difundir o conhecimento sobre o nosso passado.
Ainda, muitos professores de história, preocupados em inserir no conteúdo tradicional de história, a “história local”, partem, no entanto, de uma perspectiva enciclopedista, de acúmulo de informações.
            Portanto, a iniciativa tem o objetivo de produzir material que sirva de recurso para os nossos professores de história.

Unidade 1: A Formação do Povoado

A ocupação das terras onde hoje se ergue a cidade de Ipu ocorreu ainda no início do século XVIII. Ocupação empreendida pelo homem “branco”, europeu, pois os nativos da terra, indígenas, já ocupavam estas paragens, sobretudo a tribo dos Tabajaras, que deu asas a imaginação de José de Alencar, ao romance Iracema e a construção do maior mito cearense.
Embora os indícios apontem para a ocupação das terras, que dariam origem à nossa cidade, ainda nas primeiras décadas do século XVIII, nada indica, no entanto, que ela foi exitosa, pelo contrário. Não obstante, à medida que se avança no tempo, os indícios e vestígios históricos sobre a nossa história se avolumam e nos permitem traçar um quadro mais preciso de sua história.

Continua.
Parte do artigo publicado no Jornal Ipu Grande, nº 41.