segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Uma lavagem de roupa: Dilma Rousseff é Cidadã Ipuense?



Parte do projeto de lei. Fonte: ipunoticias.com
Hoje fui surpreendido por uma notícia estarrecedora. Sim, estarrecedora, pelo menos para mim. Estou horrorizado! Sinceramente, duvidei e pensei tratar-se de uma piada. Para a minha infelicidade, era tudo verdade! Precisei de provas para me convencer.
Lá no blog de notícias locais estava escrito que a Câmara Municipal de Ipu havia aprovado um projeto de lei concedendo à presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, o título de cidadã ipuense, sugestão da Afai (Associação dos Filhos e Amigos do Ipu), sob a justificativa de homenageá-la pelos “esforços” na “consecução” do Selo Salto do Ipuçaba.
A notícia vinha acompanhada da prova: o projeto de Lei aprovado por unanimidade pelos edis.
Infelizmente, nossos vereadores, historicamente, têm se destacado pelos belíssimos e importantes projetos que enviam para a Câmara Municipal, que tratam de nomear as ruas, bairros, logradouros públicos, escolas, etc., uma forma de homenagear seus parentes. Com algumas exceções, aqui e acolá, aparece uma boa proposta. Tais projetos, como a concessão de títulos de cidadania, inclusive para a presidenta da República, são, indiscutivelmente, essenciais para resolver os problemas que assolam nossa cidade e nossa população mais carente!
Sinceramente, não me sinto representado pelo legislativo municipal e, depois desse despautério, não sei, honestamente, o que pensar de “nosso” poder legislativo. Quando vou àquela casa, quase sempre me decepciono. Creio que há tanto para se propor e fazer por nossa cidade! Creio que há tantos projetos nas áreas de educação, saúde, saneamento básico, por exemplo, que precisam ser propostos! Será que nossos vereadores, ou pelo menos a maioria deles, se preocupam, de fato, com os interesses da coletividade, com os menos favorecidos?
Que fique claro que não tenho nada contra o Selo, que pode promover o nome de nossa cidade, embora acredite que existam outras formas mais interessantes neste sentido, mas contra o descabimento de conceder título de cidadania a quem nunca pisou aqui e nem se importará diretamente com os problemas mais pontuais de nossa cidade, que nada tem a ver com esta terra! Deixem que o congresso conceda as honrarias aos chefes do executivo!
Daqui uns dias os vereadores do Ipu irão querer propor reconstruir as Torres Gêmeas aqui para homenagear os Estados Unidos.
Se a moda pega, Pires Ferreira, com ciúmes, pode querer conceder o título de cidadão piresferreirense ao Lula ou ao Barack Obama!
O que a Dilma vai fazer com o seu título de Cidadã Ipuense? Convidem ela para as festas de janeiro ou para o Reencontro! Por que não conceder a ela um troféu pelos muitos serviços prestados à “terra de Iracema”?
Vereadores, meus amigos, usem o bom senso ou contratem uma assessoria! 

domingo, 24 de novembro de 2013

"Botar a POMBA pra DENTRO!”.


Brasão do Estado do Ceará com a POMBA FORA
No mês de novembro, de 2008, ocorreram, no Fórum de Ipu, três julgamentos. No primeiro deles, o réu fora denunciado pela Promotoria Pública, cabendo-lhe a acusação. O promotor iniciou seu pronunciamento mostrando o quão a Justiça estava sobrecarregada de trabalhos (só no Ipu existiam, na época, cerca de 2 mil processos para serem julgados) e como era difícil fazer justiça no Brasil. Atacou o princípio da ampla defesa dada aos réus e a quase inoperância dos órgãos estatais em produzir provas contra aqueles que infringem as disposições da lei. Em sua retórica, queria mostrar que tudo convergia para a absolvição dos réus em processos e que o grande culpado disso era o Estado.
Um dos advogados de defesa do Réu, em questão, iniciou sua fala atacando exatamente o que o promotor público havia dito. Segundo ele, o estado de coisas que tinha se estabelecido na justiça não se dava por falta de recursos. Para exemplificar, falou de um caso inusitado, o da “Pomba de Cid Gomes”.
Brasão atual do Estado com a POMBA DENTRO
Mostrou o nobre advogado, que o símbolo do Estado de Ceará (ou Brasão), tinha em um de seus lados, uma pomba (voando), só que fora do desenho central ou brasão, e que o atual governador do Estado, mandou que se pintasse a pomba DENTRO do símbolo.
Segundo o advogado, só para pintar novos símbolos em todas as repartições do Estado com o desenho da pomba DENTRO do Brasão, o governador teve que gastar milhões. Disse ele, “O Cid Gomes gastou milhões só para Botar a POMBA pra DENTRO!”.


Comentário: ora, o governador “goza” (gastando dinheiro público futilmente) e nós é que pagamos a conta!?

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Morrer aos poucos


Nas cidades não observo apenas os monumentos, prédios antigos, ruas, traçados. Observo também as pessoas. Às vezes procuro ler seus rostos, imaginar as histórias que têm para contar, as decepções que já viveram e os sonhos escondidos numa testa franzida, nas marcas das rugas, na beleza da pele lisa.
Hoje uma cena espetacular, de um operário, em sua hora de almoço, sentado à mesa, almoçando, evidentemente, me fez refletir profundamente sobre a existência. O que há de excepcional nisso? Nada! Quer dizer, nada não fosse a cena. O local? Centro histórico do Recife. Voltava de meu tour turístico, para o hotel: um trecho de aproximadamente 15 quilômetros, mais ou menos, percorrido em quase duas horas, num trânsito infernal. Vi a cena, em pé, de dentro de um ônibus lotado.
Lá estava o operário, sentado à mesa. Vestia um macacão grosso, botas sete léguas, capacete e um pano, embaixo dele, que caia de sua cabeça, usado para se proteger do sol, deixando descoberto apenas o rosto. Usava ainda óculos de proteção e luvas. Sobre a mesa, uma bacia: dentro pude ver: feijão “magassa”, como se diz aqui, arroz, cuscuz e muita carne com legumes cozidos, tudo bem oleoso. Havia um copo e uma garrafa com suco. O operário comia vagarosamente, levando a colher do prato para a boca repetida e incessante vezes, de cabeça baixa, indiferente ao mundo em sua volta.
O operário estava no local de uma obra. Esta era protegida por tapumes de madeira de um lado e outro, entre duas vias de intensa movimentação de veículos automotivos,com duas ou três faixas cada uma: uma pista que levava ao centro histórico e outra que saia dele. O engarrafamento era enorme: um som ensurdecedor de buzinas de automóveis e motocicletas, de sirenes de ambulância e carros da polícia e o burburinho das conversas davam o tom da cena. Lá do ônibus observava as pessoas apressadas, com caras de poucos amigos, ciclistas desviando dos carros, vendedores ambulantes gritando, guardas tentando organizar o desorganizado trânsito, e pessoas discutindo. E eu estava dentro do ônibus lotado, num calor daqueles. Imagine! 
Indiferente a tudo isso, lá estava o operário! Parecia feliz. O mundo em sua volta era um inferno, mas ali, protegido, parecia estar no paraíso. Ninguém reparava nele e nem ele ligava para o mundo: as preocupações das pessoas as consumiam. Nada, nesse mundo selvagem, seria capaz de chocá-las. Para elas, tudo parecia tão normal! Para mim não!
Quando vi o operário, pela primeira vez, imaginava comigo mesmo que viver diariamente na cidade nas condições que estava seria morrer lentamente, a cada dia. Mas eu mudei de ideia.  Se as pessoas encarassem a existência como aquele operário, seriam capazes de enfrentar tudo e viver bem em meio ao turbilhão do nosso mundo. O que nos faz viver ou morrer são as nossas expectativas, sonhos de grandeza, enfim, nossa maneira de encarar o mundo. Se nossos sonhos e expectativas são grandes, sofremos se não os conquistamos. No entanto, e paradoxalmente, não precisamos de muito para viver bem.
O operário nos ensina, como tantas pessoas. Basta observá-las.
Recife, 13 de novembro, de 2013.
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