terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Inferno sobre duas rodas


Dos muitos problemas latentes que convivemos em nossa cidade um reclama urgentes medidas para minorá-lo. É raro um final de semana sem notícias de acidentes graves envolvendo o trânsito. As vítimas fatais vão se acumulando. Em sua maioria jovens, garotos e garotas que se aventuram em motocicletas suicidas e que, de vez em quando, encontram um obstáculo sólido pela frente.
Estou farto disso!
Quais são as causas desse mal?
Em primeiro lugar, a motocicleta há muito tempo se transformou em um objeto de status para rapazes e moças na puberdade. Pais insensatos ensinam seus meninos, desde cedo, a pilotar essas máquinas mortíferas. O status impõe isso! Afinal, aqueles que “podem” comprar objetos-fetiches precisam afirmar sua “posição superior” perante a sociedade, e filho, sem veículo, nessa ordem, é impensável, verdadeiro sacrilégio!
Em segundo lugar, possuir uma motocicleta transformou-se numa arriscada moda. Todo garoto sonha em ter a sua. Afinal, andar sobre duas rodas tornou-se sinal de liberdade, acompanhado do status. O resultado é esse mar de motociclistas malucos transitando pela cidade a toda velocidade. A julgar pelas manobras, demonstram um profundo conhecimento do trânsito e de suas leis!
Muito me impressiona ver constantemente crianças e adolescentes, das mais diversas classes sociais, se aventurando nessas máquinas possantes, sem proteção alguma, colocando em risco as suas vidas e a de outras pessoas. Eles têm pais? Que tipos de pais permitem, em primeiro lugar, expor os seus filhos à perigos desnecessários? Que tipos de pais são esses que ensinam, pelo exemplo, seus filhos a desobedecerem as leis de trânsito? Será que ainda têm autoridade sobre esses garotos e garotas?
De um lado, a irresponsabilidade faz muitas vítimas, de outro, a negligência dos responsáveis por fazer valer as leis de trânsito, que parecem dormir um sono letárgico e profundo esperando o beijo do príncipe encantado, é revoltante!
Me parece que a responsabilidade por muitos traumas causados por acidentes de trânsito envolvendo jovens, menores de idade, embriagados, sobre duas rodas, é, em parte, de seus pais, em parte, de todos nós que não reclamamos medidas às autoridades, e, em parte, da negligência do poder público: acordem! E nada de oferecer a uma garota de 15 anos, vencedora de um concurso de beleza, uma Moto Zero, como premiação! Isso só piora as coisas! Afinal, conduzir veículo automotor é para os maiores de 18 anos. Mas quem se importa com isso? Eu é que sou um babaca!
Cada um deve assumir sua parcela de culpa e irresponsabilidade. Se os pais dão maus-exemplos, o poder público deveria puni-los e responsabilizá-los pela falta. A lei existe e quem a cumpre é, infelizmente, penalizado.
À quem compete fiscalizar o trânsito? Aqui eu não sei!