terça-feira, 26 de maio de 2015

A Coluna Prestes em Ipu - Parte II

O Tenentismo

 
OS 18 do Forte. Da esquerda para direita, tenentes Eduardo Gomes, Siqueira Campos, Newton Prado e o civil Otávio Correia. Fonte: Domínio Público.
A Coluna Prestes é resultado do movimento Tenentista, surgido na década de 1920. Era composto por uma ala do Exército Brasileiro, principalmente de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, descontente com a política oligárquica adotada durante a República Velha (1889-1930). Desde a montagem da Política dos Governadores, pelo Paulista Campos Sales - que permitia que a República e o poder estivessem nas mãos dos cafeicultores paulistas – os militares foram afastados do poder. E isso gerou, ao longo da década de 1920, muitas insatisfações numa ala do exército brasileiro. Desde então, os tenentes passaram a querer derrubar a República Oligárquica sob o pretexto de moralizar a política e defender o desenvolvimento do Brasil.
Nas eleições de 1922, os tenentes se opuseram à candidatura à presidência do Paulista Artur Bernardes, malvisto por eles, e apoiaram um candidato opositor. A insatisfação e a rebeldia de um grupo significativo de jovens capitães e tenentes do exército (e também alguns da Marinha) contra Artur Bernardes foi tal que resultou numa ação mais radical. O fechamento, por ordem do governo, do Clube Militar e a prisão de seu presidente, o Marechal Hermes da Fonseca, acusado de interferir indevidamente na política pernambucana, fizeram explodir revoltas armadas. Um dos movimentos mais emblemáticos foi a revolta dos 18 do Forte, fazendo com que no dia 5 de junho de 1922, jovens oficiais do Forte de Copacabana se rebelassem, com o apoio das guarnições do Distrito Federal e Mato Grosso. O objetivo era impedir a posse de Artur Bernardes.
Embora a rebelião tenha fracassado, os jovens militares resolveram abandonar o forte e marchar pela praia de Copacabana para combater as forças do governo.  Desse episódio, conhecido como Os 18 do forte, sobreviveram apenas os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes. Iniciou-se aí o longo episódio de rebeldia a que se chamou Tenentismo.
Seguiu-se revolta no Rio Grande do Sul, quando unidades do exército aquarteladas nas cidades gaúchas de São Borja, Uruguaiana e Santo Ângelo se sublevaram. Seus líderes eram o capitão Luís Carlos Prestes e o tenente Siqueira Campos. Depois de alguns dias de combate, os rebeldes se retiraram para Foz do Iguaçu.
Em São Paulo, no dia 5 de julho de 1924, unidades do exército e da Força Pública (PM), se rebelaram. Seus líderes eram o general Isidoro Dias Lopes, O Major Costa e o Capitão Joaquim Távora (morto na revolta). Os rebeldes ocuparam o palácio do governo, provocando a fuga do governador, e controlaram a cidade por 23 dias. Eles exigiam a renúncia do presidente Artur Bernardes e contavam com o apoio dos trabalhadores e de alguns grupos de populares. Para evitar o bombardeio da cidade por forças legalistas (do governo), os rebeldes se deslocaram para Foz do Iguaçu, Paraná, onde se encontrariam mais tarde com os oficiais rebeldes vindos do Rio Grande do Sul. Deste encontro surgiu a Coluna Prestes, que tinha como objetivo estender a campanha anti-governo a todo o país.

Entre abril de 1925 e fevereiro de 1927 (dois anos e três meses), os rebeldes com 800 a 1500 civis e militares percorreram cerca de 25 mil quilômetros por treze estados, sem perder qualquer dos 53 combates contra as forças governistas e a “jagunçada” de muitos coronéis. Inutilmente procurou sublevar as populações do interior contra Bernardes e a oligarquia dominante. Com o fim do mandato de Artur Bernardes, em 1926, a Coluna entrou na Bolívia e, finalmente, se dissipou.

Continua... 
Primeira parte em: http://amoscanomeupao.blogspot.com.br/2013/03/a-coluna-preste-em-ipu-parte-i.html
Terceira parte em: http://amoscanomeupao.blogspot.com.br/2013/03/a-coluna-prestes-em-ipu-parte-iii.html