domingo, 29 de janeiro de 2017

1984 - Parte I (Para ler antes de morrer)

George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair, parece usar a arte para refletir sobre suas insatisfações. Foi assim com o seu romance anterior, A Revolução dos Bichos, fábula construída pelo autor para atacar os rumos que a Revolução Russa havia tomado, no comando de Stalin. Foi assim, também, com seu último romance, 1984.
1984 tem como personagem central, Winston. O romance se passa no ano de 1984, em Londres, na Oceania, uma das três superpotências que disputam o controle do mundo, comandada pelo Partido e por seu líder, o Grande Irmão (Big Bhother). Oceania é uma espécie de estado totalitário, cuja sociedade é dominada pelo Estado e nada escapa ao seu controle. Nele, tudo é feito de forma coletiva, mas cada indivíduo que a compõe vive sozinho. O Partido, que controla as engrenagens da máquina estatal, desenvolveu um eficiente sistema de vigilância em que ninguém escapa ao controle.
O Partido não apenas exerce uma vigilância implacável, mas tem por objetivos, de um lado, controlar o pensamento e a mente de seus habitantes, não deixando espaço para ideias ou atitudes que destoam da ortodoxia reinante e, de outo lado, controlar o passado, alterado constantemente, em prol dos interesses do núcleo do Partido e qualquer suspeita de não-aceitação é considerada pensamentocrime.
A sociedade é organizada de forma hierárquica e tripartite, dividida entre o Núcleo do Partido, o mais privilegiado, um Partido Externo subserviente, e uma massa indistinta de “proletas”.

O herói do romance, Winston Smith, é um membro do Partido Externo que trabalha no ministério da verdade como falsificador de registros (controle do passado). Ele reage secretamente contra o sistema. Vive um romance com Júlia, que também se revolta, a seu modo, contra o controle. Encorajados pelo amor, algo proibido naquela sociedade, eles se reúnem com um burocrata de alto escalão do Núcleo do Partido que os coloque em contato com uma suposta força de oposição chamada Confraria, e que teria como líder o arqui-inimigo do Grande Irmão, à maneira de Trotski, Emmanuel Goldstein. O’Brien, no entanto, se revela como traidor. Winston e Júlia são presos e separados. Sucumbem a interrogatórios e traem um ao outro. Liberado antes de sua liquidação e após ter sofrido uma espécie de lavagem cerebral, Winston descobre que aprendeu a amar o Grande Irmão.

Continua...

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