terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A triste cara do Congresso Nacional





Indicada para o Ministério do Trabalho por um político condenado pela justiça, seu pai e ex-deputado Roberto Jefferson, condenada em duas ações trabalhistas, citada em delação da Odebrecht, na Operação Lava Jato, como beneficiária de caixa dois no valor de R$ 200 mil, e tendo como suplente, que assumirá a sua vaga na Câmara dos Deputados caso seja empossada no novo cargo, Nelson Nahin (PSD-RJ), um ex-presidiário, Cristiane Brasil (PTB-RJ) escancara a atual realidade política do país, que não deve ser tão diferente daquela do passado, dado a falta de investigação de antes.
O que esperar de um Congresso que teve mais de 200 políticos de 24 partidos citados em documento de apenas uma das muitas empresas envolvidas em atos de corrupção com o Congresso, a Odebrecht, como beneficiários de propinas, em troca de vantagens? O que esperar de um governo que tem em sua cúpula, a começar pelo presidente, pessoas investigadas pela Polícia Federal com provas contundentes de que cometeram vários crimes (corrupção, lavagem de dinheiro, evasão fiscal, formação de quadrilha, etc.)?
O que esperar de um congresso amplamente conservador, reacionário, corrupto, que tem entre seus componentes uma aliança de partidos ou bloco que foi apelidado de “bancada do BBB”: da “Bala” (deputados ligados à Polícia Militar, aos esquadrões da morte e às milícias privadas), do “Boi” (grandes proprietários de terra, criadores de gado) e da “Bíblia” (neopentecostais integristas, homofóbicos, racistas e misóginos), que com o ridículo de suas atitudes e discursos horrendos, fascinam bufões, idiotas e moscas tontas?
A crise política, apesar das consequências dramáticas para a nação, tem o seu lado bom: ela escacara a podridão de sua estrutura e mostra a política como exercício do poder e não como exercício do bem comum. Esqueça esse negócio de direita e esquerda! Nenhum dos lados envolvidos no jogo do poder pensa na coletividade, mas nos interesses próprios. Segundo levantamento, comprovadamente cerca de 60% daqueles que compõem o atual Congresso Nacional (Câmara e Senado) estão profundamente envolvidos em atos de corrupção.
O famigerado Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, mantinha a fidelidade de um grupo de deputados com propinas obtidas em vários esquemas de corrupção. Ele sustentava o apoio dos deputados e aliados por meio de mesadas pontuais. Segundo delação, ele teria transformado o Congresso Nacional num balcão de negócios, a serviços de grandes empresas.
Estamos reféns de agentes políticos, claramente venais, medíocres e subservientes aos interesses do grande capital, com o objetivo de manter ganhos para os proprietários. Vivemos num cenário em que o mercado compra a política e ameaça desmontar, por meio de suas próprias instituições, o Estado de direito democrático, caso ele não seja moldado segundo os seus interesses. Pouco importa o regime político, se democrático ou ditatorial: o que importa é o lucro. Quanto mais os agentes do poder forem venais, tanto melhor.
Mais do que isso, estamos assistindo, de forma irresponsável, pacífica e covarde, uma realidade em que o mercado controla a política, se apropriando não apenas do orçamento público, mas comprometendo o acesso a riquezas nacionais, passando a ser geridas como espólios para a rapina internacional.
Diante de tudo isso, e das abertas negociações espúrias do governo com o Congresso Nacional, para aprovar uma legislação que retira direitos dos grupos mais frágeis, podemos entender a crise de legitimidade dos órgãos eletivos, os quais compete, por meio de um discurso fantasioso e, por vezes, ridículo, editar legislações francamente antissociais, mas que beneficiam os operadores do mercado. Somos governados por agentes que não representam a grande maioria dos brasileiros. Contra aqueles que se insurgem contra o atual estado de coisas logo são tomadas medidas autoritárias.
Mesmo diante dessa realidade sufocante, um bando de imbecis fica discutindo o sexo dos anjos, incitados por pessoas e grupos organizados, de ambos os lados, que lançam nas redes sociais notícias falsas e incitam debates de caráter amplamente moralista e apelativo como forma de desfiar a atenção daquilo que mais importa.
A solução para a política é a política, acordem!




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