quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Nova ministra do trabalho é a cara do Governo do BRASIL



O anúncio de que a nova ministra do trabalho é Cristiane Brasil, deputada do PTB-RJ, filha do ex-deputado Roberto Jefferson, condenado no julgamento do “mensalão”, foi amplamente atacado nas redes sociais e por parte da imprensa.
A indignação é legítima, mas a indicação é bastante coerente com o governo que nós temos. Na verdade, penso até que não poderia ser diferente. Somente um governo honesto, se é que existe algum num sistema político corruptível como o brasileiro, de coalisão, estaria preocupado em escolher sua equipe de ministros entre pessoas ilibadas.
A nova ministra do trabalho foi citada em delação da Odebrecht, na Operação Lava Jato, como beneficiária de caixa dois no valor de R$ 200 mil. Eleita deputada federal em 2014, presidente do PTB em 2016, articulou o voto da legenda a favor do impeachment da então presidenta Dilma Rousseff, manobrado pelo famigerado Eduardo Cunha, Michel Temer e o PSDB. Na votação na Câmara dos Deputados, no dia 17 de abril, ela usou o símbolo das manifestações pro-impeachment, a camisa amarela da seleção brasileira, para declarar o seu voto. No seu rápido discurso, lembrou a cassação do mandado do pai, onze anos antes, e votou contra Dilma em “homenagem” ao seu “honesto” patriarca.



O novo nome para compor a importante pasta do Ministério do Trabalho, tinha que ser alguém que esteve com o atual presidente na aprovação de seus projetos “essenciais” para “consertar” o Brasil, pelo menos no discurso, à custa dos mais pobres: votou a favor da fatídica PEC do Teto dos Gastos Públicos e a terceirização para todas as atividades. Logicamente, votou a favor da reforma trabalhista e, evidentemente, contra a abertura de investigação contra o super-honesto Michel Temer, que poderia afastá-lo da presidência. Tem mais. No ano passado, foi contra o Projeto de Lei 5069/2013, que coloca uma série de dificuldades para mulheres vítimas de estupro serem submetidas legalmente a um aborto.
Não poderia ser um nome melhor! Claro, se você tiver em mente o governo que nós temos. Cristiane Brasil entra para um time seleto de ministros ou ex-ministros do governo Temer, como ele próprio, citados em delações premiadas, como Moreira Franco, o “angorá” na planilha da Odebrecht, citado 30 vezes numa delação, e que teria recebido R$ 3 milhões, José Serra, que teria recebido R$ 23 milhões via caixa dois para a campanha presidencial na eleição de 2010, Eliseu Padilha, o “Primo”, que teria recebido, em benefício próprio, R$ 1 milhão, Gilberto Cassab, o “Kafka”, teria recebido doações de R$ 14 milhões entre 2013 e 2014,  Leonardo Pinheiro, Bruno Araújo, Marcos Pereira, dentre outros.
Para piorar as coisas... “Calma, e pode piorar?” Claro, estamos aprendendo ultimamente que, na política brasileira, há sempre um espaço de manobra que pode tornar as coisas ainda mais dramáticas, para nós, claro. O poço não tem fundo! Com a ida de Cristiane Brasil para o ministério, assumirá sua vaga na Câmara, seu suplente, Nelson Nahin (PSD-RJ), um ex-presidiário, irmão do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, também “honesto”.
Cristiano Brasil entra para um time seleto, uma “tropa de elite", uma espécie de seleção brasileira de assaltantes da nação, a camisa ela já tem.
 E você, queria o que, alguém honesto, no real cenário? Não me venha com discurso moralista, “seu reacionário, fascista de direita!” Ou seria petista, “comunista, esquedopata do caralho!?”
Num mar de imbecis, ignorantes e idiotas, cabe qualquer discurso!


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