sábado, 29 de março de 2014

Ipu Antigo VIII (Final)

Porto de Camocim, mostrando a Estação Ferroviária. Quadro do pintor e artista camocinense Eduardo de Souza. Pertence ao historiador Carlos Augusto Pereira dos Santos
Ao lado do crescimento econômico da cidade houve, igualmente, um aumento significativo da população da sede e das regiões em sua volta. O recenseamento de 1890 apontava para o município de Ipu uma população de 11.216 pessoas. Dez anos depois novo recenseamento computava a existência, na cidade, de 13.263 habitantes. Em 1915, segundo Eusébio de Sousa, a população do município era de cerca de 20.000 almas. Assim em apenas 15 anos, entre 1900 e 1915, o crescimento populacional, se se der crédito aos números apresentados por Eusébio de Sousa, teria sido de quase 50%[1].
Não há por que duvidar dos números arrolados pelo magistrado, pois o censo realizado pelo governo federal, em 1920, apontava, para a cidade, uma população de 22.834 pessoas. Aparecia como 15º mais populoso entre os 86 municípios do Estado do Ceará. A população de Fortaleza, na época, era de 78.536 habitantes, de Sobral, 39.003 e, de Camocim, 17.271.

TABELA
População de alguns Municípios do Ceará em 1920
Posição
Cidade
População
Posição     
Cidade
População
Fortaleza
78.536
Granja
27.962
Sobral
39.003
Aracati
27.551
Iguatú
32.406
15º
Ipu
22.834
Baturité
30.032
17º
Juazeiro
22.067
Crato
29.032
28º
Camocim
17.271
Tabela elaborada pelo autor. Fonte: População dos Municípios do Ceará. Revista do Instituto do Ceará. Tomo XXXVI, Ano XXXVI, 1922, pp. 495-497.

É desse crescimento da cidade, na virada do século, e das transformações que engendra, que emerge, no seio de um grupo de pessoas, a construção da percepção do progresso e da modernidade. É o crescimento da cidade e as mudanças que produz no âmbito local, precisamente em um dado momento - os anos finais do século XIX e as primeiras décadas do século XX - a chave para entender como foi possível a emergência de uma dada representação da cidade. Optamos, no entanto, por não analisar esse crescimento, em seu pormenor, como fizemos em trabalho anterior, já citado[2], mas apenas tangenciá-lo. O que pretendemos é discutir como somente naquele momento, caracterizado por mudanças, é que surge a ideia de que a cidade caminhava nos trilhos do progresso e se constrói sua imagem de urbs moderna.





[1] SOUSA, Eusébio. Um pouco de historia (Chronica do Ipú). In: Revista do Instituto do Ceará. Tomo XXIX Ano XXIX, 1915, p. 152-143, p. 219.
[2] FARIAS FILHO, Antonio Vitorino. O Discurso do progresso e o desejo por uma outra cidade. Op. cit.