quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

O auxílio-moradia e a institucionalização da desigualdade no Brasil


Recentemente a Folha de São Paulo revelou algo assustador, que quase 18 mil juízes e quase 13 mil procuradores, no Brasil, recebem auxílio-moradia, no valor de R$ 4.378, mesmo possuindo imóvel próprio no lugar onde trabalham. O País gasta, só com juízes e membros do ministério público, com o benefício, cerca de R$ 1,6 bilhão por ano. Estima-se que, desse valor, R$ 1,4 bi são destinados àqueles que possuem imóvel no próprio local de trabalho. Há casos, como o do juiz federal da Lava Jato no Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, e sua esposa, também juíza, que vivem em imóvel próprio, receberem, ambos, o auxílio.
            Essa imoralidade foi garantida, em 2014, por uma liminar concedida por Luiz Fux, membro do STF, que estendeu a todos os juízes e membros do ministério público, independente de qualquer coisa, o direito ao benefício. Com mais de três anos de vigência da liminar, que deverá ser julgada pelo STF em março, os gastos já custaram aos cofres públicos mais de R$ 5,4 bi.
É preciso lembrar que o auxílio-moradia é apenas um dos benefícios, não tributáveis, diga-se de passagem, que os magistrados, arautos da moralidade na atualidade, recebem, além de seus “minguados” salários, que chegam próximo ao de um ministro do STF, teto do servidor públicos, míseros R$ 33.763. O salário de um juiz está entre os 0,1% mais altos do país. Juízes do Rio de Janeiro, por exemplo, recebem também auxílios para despesa com transporte, refeição e educação dos filhos[1] até completarem 24 anos, segundo reportagem do Estado de S. Paulo.
Segundo o mesmo jornal, em São Paulo, juízes e desembargadores recebem um auxílio para a compra de livros, no valor de até R$ 5 mil por ano. No Maranhão esse valor é de R$ 1.300.  O orçamento do judiciário está na ordem de R$ 80 bi. Em 2015, segundo matéria da Carta Capital, o judiciário consumia 1,2% do PIB brasileiro, o mais caro do mundo ocidental.
A maior parte dos magistrados, indagados por jornalistas sobre se seria justo o recebimento do auxílio moradia, mesmo tendo imóvel próprio na cidade onde atuam, tem respondido de forma patética e ridícula, tentando justificar o injustificável. Fico a me perguntar sobre se eles não percebem o ridículo de tal atitude. Alguns têm respondido, como foi o caso de Sérgio Moro, que recebe o auxílio-moradia desde 2014, mesmo tendo imóvel em Curitiba, onde trabalha, confessando que o auxílio é um disfarce ou fraude para “compensar a falta de reajuste dos vencimentos”, caso ainda do procurador José Renato Nalini, para quem o auxílio moradia disfarça uma “defasagem”, por falta de aumentos, dos salários dos juízes (vídeo abaixo). Isso é, no mínimo, escabroso, assombroso.

Nesse caso específico parece que o direito anda a léguas de distância da ética e da moral e parece confirmar algo bem comum no nosso passado colonial e imperial: o de que a lei funciona como instrumento de garantia de castas, hierarquias sociais, privilégios e institucionalização da desigualdade histórica, marca da nossa sociedade.



[1] Os magistrados têm direito a verba mensal de R$ 1.136,53 para pagar mensalidade escolar. Quem tem três filhos, teto máximo, embolsa R$ 3,4 mil. Se a mensalidade for menor do que o valor do auxílio, a diferença cobre matrícula, material e uniforme.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Grupo Outra História, de Ipu, lançará seu 4º livro




Na noite de quinta-feira, 18 de janeiro, na Casa Verde, em Ipu, o Grupo Outra História, comunidade de pesquisadores em história do Ipu,  lançará o 4º volume da série Outra História, “Nas trilhas do sertão: escritos de cultura e política nos interiores do Ceará”.
Trata-se de uma coletânea de textos que abrange pesquisadores e historiadores de Sobral, Camocim, Crato e Ipu. A obra tem 13 capítulos, dividida em três partes:  “O Ceará colonial e imperial”, “O Ceará no início do século XX” e o “Ceará Contemporâneo”.
O livro tem como organizadores, Raimundo Alves de Araújo e Edvanir Maia da Silveira, e é resultado dos esforços de pesquisadores que produzem conhecimento sobre os “interiores do Ceará”. A coleção tem como objetivo reunir, numa mesma obra, os resultados recentes de pesquisas desenvolvidas no espaço da academia e fora dela, com uma linguagem leve e voltada não apenas para os iniciados, mas, principalmente, destinada ao grande público.
Segundo Raimundo Alves de Araújo, um dos organizadores da obra, o livro “é um dos mais consistentes e mais bem elaborados de todos os volumes publicados até agora, e traz artigos inéditos e muito instigantes, de diversos autores”. Para o professor Antonio Vitorino, um dos autores e idealizadores da coleção, “o livro traz uma contribuição inestimável para a produção científica que toma a cidade de Ipu e os interiores do Ceará como objeto de estudo e análise”. Ressaltou ainda que “o devido valor da obra só será percebido tempos depois e que se revelará material importante para os estudiosos e historiadores futuros”.

Na noite do dia 18, outros quatro livros serão lançados: “A lua depois do sol”, de Aninha Martins, “Ipu em Fotografia”, do prof. Mello, “Mínimo Existencial como forma de limitação do princípio da reserva do possível”, de Nadson Rocha Aguiar Júnior, “Relembranças”, de Paulo Martins Melo, e “Vida”, de Carlos Mendonça.
A solenidade é organizada e patrocinada pela empresa Água Mineral Acacia, na pessoa do professor Luís Pessoa Aragão.
O livro nas trilhas do sertão, volume 4, será vendido por R$ 30,00, valor de lançamento.

Dados da obra
Título: “Nas trilhas do sertão: escritos de cultura e política nos interiores do Ceará”. Vol. 4 (Série Outra História)
Organizadores: Raimundo Alves de Araújo e Edvanir Maia da Silveira
Editora: Edições UVA; SertãoCult
294 Páginas
Preço de lançamento: R$ 30,00


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

CONTRAPONTOS E INTENÇÕES: USOS E ABUSOS NO LABOR DA ARTE MERETRÍCIA



 Por Iramar Miranda
Pensando a cidade como um aglomerado de diferentes “mundos”, temos a impressão de que os conflitos de ideias, intenções e ideologias, se esbarram principalmente no campo político, entretanto, a questão é bem mais complexa. Se assim defendêssemos, estaríamos nos rendendo a um gesso historiográfico, que embora tenha suas virtudes, limita a ação do pesquisador, não dando margem para abertura interpretativa, nem tampouco, voz aos “esquecidos da História”.
Enquanto ser profissional, nossas relações sociais tendem a ser direcionadas, na maioria das vezes, aos nossos pares, com discursos e projetos de vida que se entrelaçam, organizando assim, espaços de convívio que se tornam pertinentes a determinados setores da sociedade, tendo como exemplo, os clubes recreativos, os grêmios sociais, as associações ou mesmo, na informalidade, as reuniões de amigos de trabalho aos fins de semana, em espaços não estabelecidos, mas comuns a todos.
Assim, o ser humano vai se fechando em suas relações, em seus “mundos”, onde as falas, modos e projetos, são apresentados em defesas de classes, e não de sociedade. Elias[1] muito bem analisa a questão, quando nos apresenta “as sociedades fechadas”, a desconfiança com aqueles que vêm de fora, ou mesmo, aqueles que não conseguiram ainda “se estabelecer”.
Entre tantos mundos difíceis de serem adentrados, a arte meretrícia se apresenta como uma das mais complexas, talvez por conta de tantas incógnitas, superstições ou mesmo exclusões à qual está submetida, se mostrando como um universo ainda a ser explorado, principalmente quando se analisa o início do século XX e as transformações sociais que o Ceará e o Brasil vivenciaram, transformações estas que refletiram substancialmente nas pequenas cidades do interior do Ceará.
Fazendo uma análise documental e bibliográfica do período compreendido principalmente entre os anos de 1900 a 1930 na cidade de Ipu, interior do Ceará, discursos sobre modernidade, controle social, melhoramento urbano e mudanças de paradigmas[2], dominam as páginas dos principais jornais e periódicos, bem como já foram bastante analisados na atualidade em monografias, dissertações ou teses de conclusões de cursos, contudo, ainda existindo várias possibilidades de visões acerca de como vivia esta sociedade, utilizando para isto os resquícios deixados nestas fontes.
Exercitando a compreensão dos registros, voltamos à questão dos “mundos” anteriormente retratados. Àqueles que detinham o poder econômico e politico no início do século XX, também se fizeram “Guardiões da História”, organizando-se em associações e blocos, sendo o mais conhecido e elitizado no Ceará, o Instituto Histórico e Geográfico Cearense[3], que reunira entre seus associados, a “elite pensante cearense”, registrando à posteridade, tudo o que achavam ser importante a ser lembrado.
E como o pesquisador também pode ser confundido como garimpeiro, tentamos tirar destes registros, o não dito, ou seja, aquelas informações que ficam nas entrelinhas dos registros, para montarmos nossas teses e análises. Por vezes, percebemos a importância das informações mais naquilo que fora negligenciado, do que mesmo no que fora exposto e aqui voltamos à questão meretrícia.
Qual era efetivamente o papel da meretriz? A sua função social? Ora, se existiam os meretrícios dentro de uma sociedade vigiada, era por consentimento principalmente das elites, que de uma forma ou de outra, tiravam algum proveito da questão.
Sabemos que em Ipu as meretrizes foram excluídas do centro da cidade, formando um novo bairro próximo ao açude Bergdoff, margeando a zona rural da cidade de pouco mais de 4 mil habitantes na zona urbana em 1920, longe dos olhares da “melhor sociedade”. Mas sabemos também que esta mesma sociedade era assídua frequentadora deste espaço, mantendo relações tanto sexual como sociais com as meretrizes. Portanto, neste contexto, a cidade se confundia em determinado momento, ou os “mundos” se confundiam, ou seja, o mundo das meretrizes e o mundo da “melhor sociedade”.
É conhecido o rito de passagem sexual dos homens no Brasil Colônia e Império, e que reinou por grande parte no período republicano, no que concerne à prova da masculinidade por parte dos varões. Sabemos também que as moças tinham como premissa para o casamento, a prova e certeza da pureza, representada pela virgindade. Ora, o dilema estava criado.
Como manter as moças de família virgens, ao mesmo tempo em que pudessem comprovar a masculinidade dos homens, iniciando-os na vida sexual? Aí surge o papel social da meretriz. Como válvula de escape, ela tinha todo o traquejo e oficio da arte do sexo, sem a necessidade de satisfação social, muito menos a preocupação com a manutenção de uma relação conjugal.
Os encontros eram sazonais e a rotatividade de clientes em grande escala. Sem escolha, sem cobranças e muito menos sem a necessidade de conhecimento. A variação e rotatividade das cidades visitadas, era norteada pelo fluxo de clientes em que nelas aparecessem e assim, pouco se sabia da vida particular das moças do baixo meretrício, pois delas se desejavam apenas os momentos de prazer, o uso sem responsabilidades e acima de tudo, a satisfação à sociedade sobre a masculinidade dos moços, que “agora”, pós-iniciação sexual, estavam prontos para o casamento.
As moças, se resguardando em seus mundos, sonhando com seus “príncipes encantados” a seres escolhidos por seus pais, ficavam à mercê dessas situações, pois diferente do que se desejava para os homens, os espaços profanos das ruas às mulheres, principalmente às “moças indefesas” eram negados. Neste sentido, voltamos à questão dos diferentes mundos. O mundo das mulheres era totalmente diferente do mundo dos homens, tendo por base esta situação.
Mas em algum momento, estes dois mundos também teriam que se encontrar e assim, formar um terceiro “mundo”, ou seja, o mundo do moço que se saciara sexualmente no meretrício, o mundo da moça pura que se preparara para recebê-lo, com castidade e por fim, o mundo da meretriz, de vida solta, sexualidade aberta e sem responsabilidade.
Voltamos às fontes deixadas pela elite intelectual no Ceará do início do século XX. Quando se apresentara a cidade de Ipu em diferentes aspectos, ainda utilizando o modo de escrita engessado que apresentamos no início destas páginas, algo nos chama a atenção. Quando o autor cala-se diante de uma problemática que assola a cidade de Ipu e que sem muito interesse em discorrer sobre o assunto, faz uma denúncia acerca da saúde pública a qual a cidade vivenciava, percebemos que, mesmo cada um a seu modo se feche em seus espaços, em algum momento, as consequências dos atos aparecerão e assim, uma nova ordem social se apresentará.
Vamos a uma consequência em Ipu, da união destes três mundos:

A syphilis e blennorrhagia e as moléstias venéreas, em geral communs a toda cidade e a todos os países, não tendo preferencia de clima, raça, alimentação, etc., no Ipú se encontram com muita frequência.
As consequências funestas destas affecções mórbidas, o estudo de suas variadas manifestações pathologicas, não cabem nos moldes de nossa exposição.
As medidas hygienicas a tomar seriam as mesmas das outras localidades. Seria utopia querer-se entravar , obstar ou limitar a acção maléfica de taes moléstias, que sem duvida, representam um factor importantíssimo na pathologia. Mesmo assim, medidas de alcance geral são requeridas e o poder competente dellas deve cuidar[4].

Portanto, o que vamos ter na cidade de Ipu no início do século XX, são algumas neo-famílias doentes, onde as moças, sem nenhuma experiência sexual antes do casamento, eram acometidas por doenças venéreas causadas por homens que, pela imposição machista da sociedade, e sem conhecimento prévio dos perigos a qual estavam submetidos, adquiriam doenças e contaminavam suas companheiras.
O reflexo desta junção de mundos, neste sentido, refletiu-se numa questão de saúde pública, se aceitarmos a fala do autor, principalmente quando ele diz que:

Os preceitos hygienicos (...) que possam contribuir para para melhorar o estado actual de cousas da cidade, pelo menos dando-se –lhe um aspecto mais apreciável e pittoresco, mesmo de asseio, nas suas principaes artérias, não devem ficar no ouvido e sim restrictamente observados[5].

Embora inconsciente, fechados em nossos mundos, criados ou não, nossa sociedade reflete nossas ações, e isto vem se apresentando desde a formação das cidades e das sociedades. No caso apresentado, o reflexo se deu negativamente, a partir da patologia oriunda da junção carnal de três atores sociais diferentes: o homem virgem, a mulher pura e a meretriz, socialmente desregrada.



[1] ELIAS, Norbert; SCOTSON, John L. Os Estabelecidos e os Outsiders: sociologia das relações de poder a partir de uma pequena comunidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000.
3 Fundado em 04 de março de 1887, é a mais antiga instituição cultural do Ceará e uma das mais antigas do Brasil em atividade, com lançamento de Revistas a partir de sua fundação.


[4] SOUSA, Eusébio. Um pouco de História (Chronica do Ipu). Fortaleza: Revista do Instituto Histórico, 1915. p. 217
[5] Idem, 217

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

MEC divulga média das escolas no ENEM (2016). Instituto Kairós lidera em Ipu



O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta quinta-feira, 11 de janeiro, o resultado, por escola, do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2016. Na lista aparecem 7 escolas ipuenses, 4 públicas e 3 da rede privada. Entre as escolas privadas, em todos os cenários, o Instituto Kairós obteve a primeira posição. A média da escola, nas provas objetivas foi de 536.85 pontos, seguida pelo Patronato Sousa Carvalho (517.37) e pelo Colégio Ipuense (514.45). Na redação, o Instituto Kairós também lidera, com a média de 702.5 pontos, seguido pelo Colégio Ipuense (615.86) e pelo Patronato (603.53)
Quando somamos as médias das notas das provas objetivas com aquelas da redação, usando a metodologia do MEC[1], a maior média também é do Instituto Kairós (569,98), seguido pelo Colégio Ipuense (534,73) e pelo Patronato (534,6).
Entre as escolas públicas, a maior média das provas objetivas foi obtida pela Escola Delmiro Golveia (463.73), seguida da Escola Auton Aragão (448.31), Antonio Pereira de Farias (442.25) e Dona Thereza Odette (412). Quando somamos as médias das notas das provas objetivas com a aquelas da redação, o cenário não muda, também a escola Delmiro Gouveia fica na frente (462,11), seguida pelo Auton Aragão (449,04), Antonio Pereira de Farias (434,67) e Dona Thereza Odette (429,66).


Auton Aragão avança

Destacamos o avanço da escola Auton Aragão que, em 2012, estava em último lugar entre as escolas públicas de Ipu e obteve, agora, a maior média em linguagens e uma diferença, para a primeira colocada, nas médias das provas objetivas, de apenas 15,42 pontos e apenas de 13,03 pontos quando somadas as notas das provas objetivas com as da redação.

Não há grandes disparidades

Entre as escolas públicas, como demonstram os dados, não há grandes disparidades entre as médias. Vários são os fatores que explicam por que as escolas privadas estão na frente, dentre eles está o nível socioeconômico mais elevado dos alunos, o que segue uma tendência nacional, segundo estudos.
De acordo com levantamento realizado pela Folha de São Paulo, apenas uma entre as 10 escolas mais bem posicionadas no ranking do ENEM 2016, elaborada pelo jornal, é da rede pública. Entre as escolas com as melhores médias, o padrão socioeconômico dos alunos é de nível elevado, o que evidencia uma relação importante entre nível socioeconômico e desempenho escolar. Nesse grupo de elite, as médias variam de 569,7 a 730,6 pontos.
Na outra ponta, as escolas com notas mais baixas ou 10% do total são unidades estaduais de Ensino. Um terço delas tem alunos com perfil socioeconômico “baixo” e “muito baixo”, os dois menores níveis.

Nem sempre as maiores notas espelham a realidade

Nem sempre as maiores notas das escolas que estão no topo do ranking espelham a realidade, uma vez que tais estabelecimentos, segundo a Folha de São Paulo, selecionam os melhores alunos num colégio de aplicação tratado como independente de sua vasta rede. Cita o exemplo do Colégio Objetivo Integrado, de São Paulo, e o Colégio de Aplicação Farias Brito, no Ceará, que tiveram apenas 34 e 44 alunos na prova, respectivamente.
Segundo o jornal, “O Farias Brito, tradicional grupo educacional do Nordeste, trata o Colégio de aplicação como escola independente. Mas na prática, são turmas formadas com os melhores alunos de outras unidades, selecionados desde o 6º ano”.
Pioneira na estratégia, o Colégio Objetivo criou a sua unidade integrada em 2010. Com as notas dos 44 alunos que fizeram a prova em 2016, a sua média foi de 743,21, a maior do país. Como demonstra o jornal paulista, “turmas com bons alunos são formadas no 1º ano, mas só uma classe chega no 3º ano”.
Com 331 alunos na prova, o colégio teve média de 620,89, o que a coloca na 199º entre as escolas com mais de 61 alunos no exame.
No caso do Colégio Central Farias Brito, com seus 338 alunos no ENEM 2016, sua média, 603,22, deixa o estabelecimento na 452º entre as escolas com mais 61 alunos inscritos.







[1] Que consiste em multiplicar por quatro a nota das provas objetivas, somar com a prova da redação e dividir por 5.


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A triste cara do Congresso Nacional




Indicada para o Ministério do Trabalho por um político condenado pela justiça, seu pai e ex-deputado Roberto Jefferson, condenada em duas ações trabalhistas, citada em delação da Odebrecht, na Operação Lava Jato, como beneficiária de caixa dois no valor de R$ 200 mil, e tendo como suplente, que assumirá a sua vaga na Câmara dos Deputados caso seja empossada no novo cargo, Nelson Nahin (PSD-RJ), um ex-presidiário, Cristiane Brasil (PTB-RJ) escancara a atual realidade política do país, que não deve ser tão diferente daquela do passado, dado a falta de investigação de antes.
O que esperar de um Congresso que teve mais de 200 políticos de 24 partidos citados em documento de apenas uma das muitas empresas envolvidas em atos de corrupção com o Congresso, a Odebrecht, como beneficiários de propinas, em troca de vantagens? O que esperar de um governo que tem em sua cúpula, a começar pelo presidente, pessoas investigadas pela Polícia Federal com provas contundentes de que cometeram vários crimes (corrupção, lavagem de dinheiro, evasão fiscal, formação de quadrilha, etc.)?
O que esperar de um congresso amplamente conservador, reacionário, corrupto, que tem entre seus componentes uma aliança de partidos ou bloco que foi apelidado de “bancada do BBB”: da “Bala” (deputados ligados à Polícia Militar, aos esquadrões da morte e às milícias privadas), do “Boi” (grandes proprietários de terra, criadores de gado) e da “Bíblia” (neopentecostais integristas, homofóbicos, racistas e misóginos), que com o ridículo de suas atitudes e discursos horrendos, fascinam bufões, idiotas e moscas tontas?
A crise política, apesar das consequências dramáticas para a nação, tem o seu lado bom: ela escacara a podridão de sua estrutura e mostra a política como exercício do poder e não como exercício do bem comum. Esqueça esse negócio de direita e esquerda! Nenhum dos lados envolvidos no jogo do poder pensa na coletividade, mas nos interesses próprios. Segundo levantamento, comprovadamente cerca de 60% daqueles que compõem o atual Congresso Nacional (Câmara e Senado) estão profundamente envolvidos em atos de corrupção.
O famigerado Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, mantinha a fidelidade de um grupo de deputados com propinas obtidas em vários esquemas de corrupção. Ele sustentava o apoio dos deputados e aliados por meio de mesadas pontuais. Segundo delação, ele teria transformado o Congresso Nacional num balcão de negócios, a serviços de grandes empresas.
Estamos reféns de agentes políticos, claramente venais, medíocres e subservientes aos interesses do grande capital, com o objetivo de manter ganhos para os proprietários. Vivemos num cenário em que o mercado compra a política e ameaça desmontar, por meio de suas próprias instituições, o Estado de direito democrático, caso ele não seja moldado segundo os seus interesses. Pouco importa o regime político, se democrático ou ditatorial: o que importa é o lucro. Quanto mais os agentes do poder forem venais, tanto melhor.
Mais do que isso, estamos assistindo, de forma irresponsável, pacífica e covarde, uma realidade em que o mercado controla a política, se apropriando não apenas do orçamento público, mas comprometendo o acesso a riquezas nacionais, passando a ser geridas como espólios para a rapina internacional.
Diante de tudo isso, e das abertas negociações espúrias do governo com o Congresso Nacional, para aprovar uma legislação que retira direitos dos grupos mais frágeis, podemos entender a crise de legitimidade dos órgãos eletivos, os quais compete, por meio de um discurso fantasioso e, por vezes, ridículo, editar legislações francamente antissociais, mas que beneficiam os operadores do mercado. Somos governados por agentes que não representam a grande maioria dos brasileiros. Contra aqueles que se insurgem contra o atual estado de coisas logo são tomadas medidas autoritárias.
Mesmo diante dessa realidade sufocante, um bando de imbecis fica discutindo o sexo dos anjos, incitados por pessoas e grupos organizados, de ambos os lados, que lançam nas redes sociais notícias falsas e incitam debates de caráter amplamente moralista e apelativo como forma de desfiar a atenção daquilo que mais importa.
A solução para a política é a política, acordem!




quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Nova ministra do trabalho é a cara do Governo do BRASIL


O anúncio de que a nova ministra do trabalho é Cristiane Brasil, deputada do PTB-RJ, filha do ex-deputado Roberto Jefferson, condenado no julgamento do “mensalão”, foi amplamente atacado nas redes sociais e por parte da imprensa.
A indignação é legítima, mas a indicação é bastante coerente com o governo que nós temos. Na verdade, penso até que não poderia ser diferente. Somente um governo honesto, se é que existe algum num sistema político corruptível como o brasileiro, de coalisão, estaria preocupado em escolher sua equipe de ministros entre pessoas ilibadas.
A nova ministra do trabalho foi citada em delação da Odebrecht, na Operação Lava Jato, como beneficiária de caixa dois no valor de R$ 200 mil. Eleita deputada federal em 2014, presidente do PTB em 2016, articulou o voto da legenda a favor do impeachment da então presidenta Dilma Rousseff, manobrado pelo famigerado Eduardo Cunha, Michel Temer e o PSDB. Na votação na Câmara dos Deputados, no dia 17 de abril, ela usou o símbolo das manifestações pro-impeachment, a camisa amarela da seleção brasileira, para declarar o seu voto. No seu rápido discurso, lembrou a cassação do mandado do pai, onze anos antes, e votou contra Dilma em “homenagem” ao seu “honesto” patriarca.



O novo nome para compor a importante pasta do Ministério do Trabalho, tinha que ser alguém que esteve com o atual presidente na aprovação de seus projetos “essenciais” para “consertar” o Brasil, pelo menos no discurso, à custa dos mais pobres: votou a favor da fatídica PEC do Teto dos Gastos Públicos e a terceirização para todas as atividades. Logicamente, votou a favor da reforma trabalhista e, evidentemente, contra a abertura de investigação contra o super-honesto Michel Temer, que poderia afastá-lo da presidência. Tem mais. No ano passado, foi contra o Projeto de Lei 5069/2013, que coloca uma série de dificuldades para mulheres vítimas de estupro serem submetidas legalmente a um aborto.
Não poderia ser um nome melhor! Claro, se você tiver em mente o governo que nós temos. Cristiane Brasil entra para um time seleto de ministros ou ex-ministros do governo Temer, como ele próprio, citados em delações premiadas, como Moreira Franco, o “angorá” na planilha da Odebrecht, citado 30 vezes numa delação, e que teria recebido R$ 3 milhões, José Serra, que teria recebido R$ 23 milhões via caixa dois para a campanha presidencial na eleição de 2010, Eliseu Padilha, o “Primo”, que teria recebido, em benefício próprio, R$ 1 milhão, Gilberto Cassab, o “Kafka”, teria recebido doações de R$ 14 milhões entre 2013 e 2014,  Leonardo Pinheiro, Bruno Araújo, Marcos Pereira, dentre outros.
Para piorar as coisas... “Calma, e pode piorar?” Claro, estamos aprendendo ultimamente que, na política brasileira, há sempre um espaço de manobra que pode tornar as coisas ainda mais dramáticas, para nós, claro. O poço não tem fundo! Com a ida de Cristiane Brasil para o ministério, assumirá sua vaga na Câmara, seu suplente, Nelson Nahin (PSD-RJ), um ex-presidiário, irmão do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, também “honesto”.
Cristiano Brasil entra para um time seleto, uma “tropa de elite", uma espécie de seleção brasileira de assaltantes da nação, a camisa ela já tem.
 E você, queria o que, alguém honesto, no real cenário? Não me venha com discurso moralista, “seu reacionário, fascista de direita!” Ou seria petista, “comunista, esquedopata do caralho!?”
Num mar de imbecis, ignorantes e idiotas, cabe qualquer discurso!


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Apenas 8% das pessoas, no Brasil, têm plenas condições de compreender e se expressar


Segundo estudo conduzido pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM) e pela ONG Ação Educativa, que entrevistou 2002 pessoas entre 15 e 64 anos de idade, residentes nas zonas urbanas e rurais de todas as regiões do Brasil, apenas 8% delas, em idade de trabalhar, têm plenas capacidades de entender e se expressar por meio de letras e números.
São aqueles que estão no nível mais avançado de alfabetismo funcional em um índice chamado Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional). Em tal nível, a pessoa é capaz de compreender e elaborar textos de diferentes tipos, como mensagem, descrição ou argumentação, além de conseguir opinar sobre o posicionamento ou estilo do autor do texto. Consegue ainda, interpretar tabelas e gráficos e compreende que tendências apontam ou que projeções podem ser feitas com base nos dados.
Esse nível corresponderiam a situação daqueles que completam o ensino médio, que teriam percorrido 12 anos de escolaridade.
Os dados alarmantes apontam para uma realidade de falta de investimentos mais arrojados na educação básica pública. Aqueles que conseguem atingir um grau adequado de proficiência, ao final do Ensino Médio, representam um número pequeno.
Pela mesma pesquisa, divulgada no início de 2016, o Brasil tinha 27% de sua população entre 15 e 64 anos composta de analfabetos funcionais. Em 2001 e 2002, esse número era de 39%
Analfabetos funcionais não conseguem realizar tarefas simples envolvendo leitura de palavras e frases. Alguns conseguem ler números.






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